CAT tools

RECONHECER A NECESSIDADE DE FERRAMENTAS DE TRADUÇÃO SEMIAUTOMÁTICAS

Na UC de TAT II fiz uma apresentação de um trabalho de grupo, que consistia em analisar um artigo relacionado com o mundo da tradução e depois apresentá-lo à turma. O meu grupo era constituído por 3 pessoas e o artigo que lemos era sobre “Acknowledging the needs of computer-assisted translation tools users: the human perspective in human-machine translation”, ou seja, Reconhecer a necessidade de ferramentas de tradução semiautomáticas: a perspetiva humana sobre a tradução assistida”. Deixo-vos aqui o nosso trabalho, ou seja, a análise do artigo:

RECONHECER A NECESSIDADE DE FERRAMENTAS DE TRADUÇÃO SEMIAUTOMÁTICAS

 Ao contrário do que muitas pessoas ainda pensam, a indústria da tradução está em crescimento a nível mundial. Apesar de ser um fenómeno bom para a indústria, acontece que as organizações não têm recursos humanos especializados suficientes para fazer face à procura dos serviços.

Isto leva a que haja uma necessidade de encontrar uma solução rápida e eficaz para o problema, e esta solução passa pela implementação de ferramentas que possam ajudar os tradutores no seu trabalho, especificamente através da criação de um sistema de informação de língua (SIL).

O QUE SÃO SISTEMAS DE INFORMAÇÃO?

Segundo Ein-Dov e Segev, um sistema de informação é “qualquer sistema computorizado com interface de utilizador”. Ou seja, são ferramentas que estão ao dispor do tradutor para este ter acesso a outras ferramentas úteis, como bases de dados, glossários, etc.

A grande diferença entre estes sistemas de informação e as ferramentas de tradução automática é que os SIL não servem para traduzir textos automaticamente, mas sim para apoiar o tradutor na pesquisa necessária para traduzir.

Outro aspeto importante dos SIL no contexto organizacional é que estes sistemas podem ser instalados de maneira a que todos os tradutores da organização estejam interligados e com acesso à mesma informação continuamente. Isto evita perdas de tempo com a aquisição de informação de colegas e mantém o ritmo de trabalho estável.

Para além dos SIL existem também outros sistemas: os sistemas de gestão de trabalho (SGT). Estes sistemas estão programados para estruturar as tarefas do tradutor, enviando-lhe alertas das tarefas que ainda estão por completar. Apesar das aparentes vantagens destes sistemas, muitos tradutores não se adaptam a eles porque os impedem de organizar o seu próprio trabalho.

TRADUÇÃO AUTOMÁTICA VS. TRADUÇÃO INTERATIVA

É difícil às vezes distinguir entre sistemas de tradução automática humanamente assistidos e sistemas de tradução humanos assistidos por computador, por isso, todas elas são geralmente referidas como CAT tools.

A tradução automática é aquela que é feita na íntegra por um software (e.g. Google Translate, PONS, etc), enquanto que a tradução interativa é feita por um tradutor com auxílio do computador (ex: MemoQ e SDL Trados); ou seja, enquanto a tradução automática tenta “substituir” os tradutores, a tradução interativa ajuda os tradutores a fazerem um trabalho mais eficiente.
As questões que se colocam então são ‘se e de que forma é que o trabalho humano ainda é importante’.

Então, as organizações têm de encontrar um equilíbrio entre estes dois tipos de tradução de forma a que o trabalho dos tradutores seja tanto facilitado como recompensado e valorizado. Isto quer dizer que as traduções não devem ser todas automáticas, mas devem haver apoios interativos para facilitar a tradução. Este equilíbrio não só é necessário para o bem-estar do tradutor na sua carreira, mas também para garantir o sucesso da organização.

Enquanto que os SIL têm a capacidade de aumentar e melhorar a performance das organizações, estas têm de se certificar de que dois dos principais problemas com traduções são resolvidos: a incerteza e o equívoco. Segundo Daft e Lengel, a incerteza é a “ausência de informação” e o equívoco é “a ambiguidade”. Ferramentas como bases de dados terminológicas e memórias de tradução reduzem estes dois fatores, tornando o processo de tradução mais rápido, eficaz e preciso.

Apesar das vantagens das ferramentas computorizadas, o lado humano da tradução é extremamente importante. Isto acontece porque o tradutor tem de “aprovar” a ferramenta que lhe foi disponibilizada e isto acontece por via de dois fatores: a utilidade da ferramenta e a sua facilidade de utilização. Se o tradutor achar a ferramenta pouco útil e de difícil utilização, é provável que se recuse a usá-la. Isto significa que as organizações devem ter em conta a opinião dos profissionais que emprega.

Porém, a utilidade e facilidade de uso da ferramenta não são os únicos fatores a ter em consideração. A motivação intrínseca é um dos aspetos mais importantes e que deve ser tido mais em conta no que toca ao sucesso da organização. A motivação intrínseca, segundo Amabile, é “a motivação para trabalhar nalguma coisa porque é interessante, entusiasmante, satisfatória, ou pessoalmente desafiante”. Este tipo de motivação está fortemente ligado à retenção de talentos na indústria da tradução, ou seja, quanto maior é o nível de motivação intrínseca de um tradutor, maior é a probabilidade de este se manter na indústria da tradução.

Como tudo, o uso de ferramentas na tradução também tem desvantagens. Uma destas desvantagens é o facto de que estas ferramentas podem limitar a criatividade do tradutor. A tradução, como sabemos, é uma profissão criativa. Apesar de o tradutor ser capaz de ignorar a falta de flexibilidade criativa a curto-prazo, este aspeto é difícil de deixar de parte a longo-prazo, o que geralmente leva muitos tradutores a repensarem as suas carreiras por se sentirem presos e incapazes de usufruir do seu lado criativo.

 

Para concluir, a profissão do tradutor está a sofrer grandes alterações com a implementação das tecnologias no trabalho. As organizações com números insuficientes de profissionais na área devem começar a adotar ferramentas para apoiar os tradutores no seu trabalho, e os sistemas de informação são uma das soluções a ter em conta.

 

A minha opinião quanto ao artigo lido é que, de facto, as ferramentas de tradução são cada vez mais necessitadas hoje em dia e reconheço a sua utilidade, mas no entanto, o nosso trabalho enquanto humanos também deve ser reconhecido, daí que concordo com o artigo no que diz respeito à existência de uma cooperação entre o tradutor humano e a tradução automática e as ferramentas de tradução.

Qual a vossa opinião em relação a este assunto?

Até à próxima!

 

 

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